{"id":730,"date":"2025-09-05T17:32:59","date_gmt":"2025-09-05T20:32:59","guid":{"rendered":"https:\/\/solidaritas.blog\/?p=730"},"modified":"2025-09-08T09:16:15","modified_gmt":"2025-09-08T12:16:15","slug":"estamos-apenas-tentando-viver-as-duas-primeiras-semanas-da-ofensiva-de-trump-contra-a-populacao-em-situacao-de-rua-em-washington-d-c","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/estamos-apenas-tentando-viver-as-duas-primeiras-semanas-da-ofensiva-de-trump-contra-a-populacao-em-situacao-de-rua-em-washington-d-c\/","title":{"rendered":"\u201cEstamos apenas tentando viver\u201d: As duas primeiras semanas da ofensiva de Trump contra a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua em Washington, D.C."},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Publicado originalmente em <a href=\"https:\/\/streetsensemedia.org\/article\/were-just-trying-to-live-the-first-two-weeks-of-trumps-crackdown-on-visible-homelessness-in-d-c\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Street Sense Media<\/a>, em 27 de agosto de 2025<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<p><br><strong>Por Annemarie Cuccia \/ Franziska Wild<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>Em uma a&ccedil;&atilde;o que causou choque entre os residentes da cidade, especialmente aqueles em situa&ccedil;&atilde;o de rua e os prestadores de servi&ccedil;os, o presidente Donald Trump federalizou o Departamento de Pol&iacute;cia Metropolitana de D.C. (MPD) e enviou a Guarda Nacional &agrave; cidade em 11 de agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu an&uacute;ncio, Trump, que frequentemente <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/presidential-actions\/2025\/07\/ending-crime-and-disorder-on-americas-streets\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">associa<\/a> criminalidade e a popula&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de rua, classificou a falta de moradia e os acampamentos como parte do <a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2025\/08\/19\/nx-s1-5506208\/dc-crime-trump-explained\" title=\"\">suposto problema da criminalidade<\/a> na cidade. Ele ordenou que as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a retirassem barracas e amea&ccedil;ou remover pessoas vivendo nas ruas da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias seguintes, trabalhadores de projetos sociais para a popula&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&atilde;o de rua se esfor&ccedil;aram para encontrar locais seguros para que as pessoas dormissem, acomodando-as em hot&eacute;is ou abrigos, enquanto o medo, a incerteza e a frustra&ccedil;&atilde;o aumentavam.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Voc&ecirc;s est&atilde;o destruindo vidas, sonhos, meios de subsist&ecirc;ncia. Est&atilde;o prejudicando o modo de vida das pessoas&rdquo;, disse Temitope Ibijemilusi, que frequentemente dorme no centro da cidade, ap&oacute;s ser obrigado pela pol&iacute;cia a retirar seus pertences. &ldquo;Est&atilde;o criando mais problemas, causando mais ansiedade.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>No total, <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> confirmou que pelo menos 20 pessoas foram removidas de oito acampamentos por meio de fechamentos promovidos pelo governo federal. A pol&iacute;cia ordenou que muitas outras pessoas sa&iacute;ssem de espa&ccedil;os p&uacute;blicos onde tradicionalmente se re&uacute;nem. As opera&ccedil;&otilde;es de fechamento foram lideradas principalmente por agentes de seguran&ccedil;a, em vez das equipes habituais de extens&atilde;o social da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de a secret&aacute;ria de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmar que 48 acampamentos foram fechados desde 11 de agosto, o <strong><em>Street Sense<\/em><\/strong> s&oacute; conseguiu confirmar os fechamentos em oito locais no Distrito. A Casa Branca n&atilde;o divulgou uma lista de locais j&aacute; fechados ou de pr&oacute;ximos alvos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, os dados da cidade sugerem que o n&uacute;mero de pessoas vivendo em acampamentos n&atilde;o diminuiu de forma significativa nas &uacute;ltimas duas semanas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-733\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Um morador de acampamento, que preferiu n&atilde;o ser identificado, posa com seus pertences em um carrinho de compras do Target sob a ponte das avenidas New York e Montana NE. Foto: Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, dezenas de pessoas dormindo ao relento relataram ass&eacute;dio, medo e incerteza devido &agrave;s a&ccedil;&otilde;es e ao discurso federal. Embora o governo Trump tenha amea&ccedil;ado criminalizar atividades como acampamento, mendic&acirc;ncia ou dormir ao ar livre, dados p&uacute;blicos dispon&iacute;veis e dados fornecidos pela Casa Branca n&atilde;o indicam pris&otilde;es relacionadas a essas acusa&ccedil;&otilde;es at&eacute; o momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resposta &agrave; repress&atilde;o, a cidade abriu mais de 100 vagas adicionais em abrigos, segundo o Departamento de Servi&ccedil;os Humanos de D.C. (DHS), e est&aacute; preparada para abrir mais, se necess&aacute;rio. Um segundo abrigo n&atilde;o-congregacional deve ser inaugurado nos pr&oacute;ximos meses, oferecendo novas vagas, e a cidade investir&aacute; mais em seu programa de desvio da falta de moradia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem todos se sentem seguros em ir para abrigos &mdash; Kevin, que dorme fora da Biblioteca Memorial Martin Luther King Jr., no centro, considera os abrigos lotados e teme adoecer. Por isso, continua dormindo do lado de fora. Nestes dias, sente-se especialmente vulner&aacute;vel &agrave; abordagem dos policiais.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;N&oacute;s j&aacute; sabemos o que est&aacute; acontecendo&rdquo;, disse Kevin ao <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> em 19 de agosto, sentado do lado de fora da MLK ao entardecer. &ldquo;N&atilde;o sei quando, mais cedo ou mais tarde, mas eles v&atilde;o vir. Eles v&atilde;o vir.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O momento decisivo<\/h2>\n\n\n\n<p>Na noite de 14 de agosto, diante de agentes do FBI e uma multid&atilde;o de jornalistas, Meghann Abraham decidiu que ficaria em frente &agrave; sua barraca, de bra&ccedil;os cruzados, encarando a press&atilde;o. Ela sabia que n&atilde;o estava fazendo nada de errado &ndash; independente do que o presidente dos Estados Unidos pudesse afirmar.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Ser sem-teto n&atilde;o &eacute; crime&rdquo;, disse ela ao <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> algumas horas antes. &ldquo;N&atilde;o somos dependentes de drogas. N&atilde;o somos criminosos. N&atilde;o temos armas, nada. S&oacute; queremos viver.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Abraham, de 34 anos, concluiu recentemente o curso de tecnologia aplicada &agrave; seguran&ccedil;a nacional no College of Southern Maryland. Ela sonha em trabalhar para a FEMA, ajudando pessoas em situa&ccedil;&otilde;es de crise. Ap&oacute;s se mudar da biblioteca MLK, passou a viver em uma barraca com o namorado, instalado &agrave; margem da Washington Circle, nos &uacute;ltimos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 14 de agosto, come&ccedil;aram rumores de que agentes federais iniciariam o fechamento dos acampamentos em D.C. No fim daquela tarde, a cidade colou avisos em v&aacute;rias barracas de Washington Circle, notificando moradores de que o acampamento seria fechado quatro dias depois, em 18 de agosto. &Agrave; &eacute;poca, trabalhadores de projetos sociais e autoridades locais disseram desconhecer os locais que seriam alvo dos agentes federais, s&oacute; sendo informados pouco antes da chegada do FBI.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco ap&oacute;s as 21h, pelo menos 12 agentes do FBI chegaram &agrave; Washington Circle, com inten&ccedil;&atilde;o de remover diversas barracas, inclusive a de Abraham.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando abordada, Abraham mostrou aos agentes o adesivo de aviso da cidade. Com o apoio de advogados, argumentou que tinha o direito de permanecer at&eacute; 18 de agosto. Os agentes acabaram se retirando e, embora voltassem mais tarde, foram aparentemente desencorajados pelo aviso municipal. Naquela noite, n&atilde;o fecharam nem o acampamento de Abraham, nem outros quatro pr&oacute;ximos que pretendiam visitar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-3-1024x683.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-735\" srcset=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-3-1024x683.webp 1024w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-3-300x200.webp 300w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-3-768x512.webp 768w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-3-18x12.webp 18w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-3.webp 1488w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O adesivo na barraca de Meghann Abraham, na noite em que o FBI se aproximou dela. Foto: Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Por&eacute;m, a sa&iacute;da dos agentes do FBI foi apenas um pequeno al&iacute;vio. Na manh&atilde; seguinte, policiais locais retornaram ao acampamento de Abraham e a outros e os fecharam por ordem do governo federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os agentes foram inicialmente vistos nas proximidades do Centro de Servi&ccedil;os Diurnos no cora&ccedil;&atilde;o da cidade, local onde muitos em situa&ccedil;&atilde;o de rua buscam refei&ccedil;&otilde;es, banho, documentos e assist&ecirc;ncia. Moradores e trabalhadores relataram que agentes descartaram pertences das pessoas presentes. Funcion&aacute;rios dos programas vizinhos tentaram manter as pessoas protegidas, acompanhando-as at&eacute; o lado de fora em intervalos, para garantir sua seguran&ccedil;a durante os seus intervalos para fumar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ibijemilusi passou recentemente a dormir pr&oacute;ximo ao centro, ap&oacute;s a morte da pessoa com quem estava hospedado. Disse ao <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> que a pol&iacute;cia o obrigou a desmontar sua barraca e descartou pertences de outros.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Muita gente perdeu suas coisas hoje&rdquo;, disse Ibijemilusi.<\/p>\n\n\n\n<p>O Departamento de Pol&iacute;cia Metropolitana seguiu ent&atilde;o para as barracas pr&oacute;ximas &agrave; Washington Circle e ordenou que Abraham deixasse o local sob amea&ccedil;a de pris&atilde;o. Seu namorado estava trabalhando na hora. A pol&iacute;cia jogou fora os pertences e barracas de outros moradores, enquanto Abraham tentava contatar os amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eles perguntavam: isso &eacute; lixo? &Eacute; lixo? E eu dizia que nada dos meus pertences era lixo. Tenho essas coisas porque quero t&ecirc;-las&rdquo;, disse ela aos rep&oacute;rteres do <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> que chegaram no momento da remo&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Mas &eacute; uma luta para defender meus direitos diante de 20 policiais.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Membros do Departamento de Pol&iacute;cia Metropolitana (MPD) seguiram para a esquina da 26 com L, onde removeram tr&ecirc;s barracas, desalojando pelo menos um morador. Em seguida, dirigiram-se ao centro, onde desmontaram uma estrutura nas ruas 15 e G. N&atilde;o aparentava haver ningu&eacute;m presente.<\/p>\n\n\n\n<p>No total, a pol&iacute;cia removeu pelo menos 11 barracas em 15 de agosto &ndash; a maioria jogada em um caminh&atilde;o do Departamento de Obras P&uacute;blicas que acompanhava as opera&ccedil;&otilde;es. A a&ccedil;&atilde;o foi liderada e executada pela MPD, n&atilde;o por for&ccedil;as federais. O escrit&oacute;rio do Vice-Prefeito de Sa&uacute;de e Servi&ccedil;os Humanos (DMHHS), respons&aacute;vel por monitorar e coordenar desocupa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o foi envolvido, segundo comunicado oficial. O <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> tamb&eacute;m n&atilde;o registrou a presen&ccedil;a das ag&ecirc;ncias de apoio social usual nos fechamentos, com exce&ccedil;&atilde;o de dois funcion&aacute;rios da DHS nas ruas 15 e G.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-4-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-747\" srcset=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-4-1.jpg 1024w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-4-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-4-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-4-1-18x12.jpg 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Meghann Abraham com uma agente de extens&atilde;o arrumando sua barraca ap&oacute;s ser informada pelo Departamento de Pol&iacute;cia de Washington que ela teria que se mudar do Washington Circle Park. Foto de Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&ldquo;O Distrito tinha agendado fechar o local em Washington Circle no dia 18 de agosto&rdquo;, escreveu um porta-voz do DMHHS naquela tarde. &ldquo;No entanto, hoje, autoridades federais optaram por executar o fechamento do local e de v&aacute;rios outros.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Jim Malec, comiss&aacute;rio da ANC para a regi&atilde;o, disse estar indignado com o fechamento antecipado e preocupado com um poss&iacute;vel alinhamento do governo local &agrave;s ordens de Trump.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Prometer um prazo at&eacute; segunda-feira para essas pessoas e depois destruir suas propriedades tr&ecirc;s dias antes &eacute; pura crueldade, e precisamos garantir que os respons&aacute;veis por essa decis&atilde;o sejam responsabilizados&rdquo;, escreveu Malec em comunicado ao <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> ligou para Abraham poucos dias depois para falar sobre o fechamento, ela descreveu a experi&ecirc;ncia como &ldquo;violenta&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>O fechamento mais recente identificado pelo <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> ocorreu em 18 de agosto, quando agentes da MPD mais uma vez visitaram a regi&atilde;o do Centro Diurno. Ficaram do lado de fora por cerca de uma hora, enquanto trabalhadores do projeto social e funcion&aacute;rios do centro ajudavam moradores a deixar o local. Apesar dos receios de que os oficiais federais estivessem presentes, a a&ccedil;&atilde;o foi conduzida pela pol&iacute;cia local e pelo DMHHS.<\/p>\n\n\n\n<p>Um funcion&aacute;rio do DMHHS disse ao <strong>Street Sense<\/strong> que a opera&ccedil;&atilde;o foi &ldquo;determinada pela Casa Branca&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Um homem chamado Willie Nelson afirmou estar esperando do lado de fora do centro na esperan&ccedil;a de conseguir um documento de identidade. O centro distribui IDs apenas &agrave;s quintas-feiras e em n&uacute;mero limitado semanalmente, ent&atilde;o Nelson estava dormindo nas imedia&ccedil;&otilde;es para conseguir ser atendido.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Serei o primeiro da fila&rdquo;, disse ele.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O estado dos acampamentos<\/h2>\n\n\n\n<p>D.C. &eacute; composta por uma mistura de terrenos municipais e federais. Normalmente, essas fronteiras determinam quem fecha os acampamentos e quais autoridades lideram as opera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-738\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ted Joseph do DHS, Trina Robinson e Tony Smith da equipe do DMHHS inspecionam uma barraca em busca de pertences importantes antes de uma remo&ccedil;&atilde;o padr&atilde;o, abril de 2025. Foto: Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nos terrenos federais, como o Canal C&amp;O, Rock Creek Park e &aacute;reas verdes pr&oacute;ximas a monumentos e pr&eacute;dios federais, o Servi&ccedil;o Nacional de Parques (NPS) <a href=\"https:\/\/streetsensemedia.org\/article\/encampment-closures-on-track-to-nearly-double-in-2024\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">tem prerrogativa de realizar despejos<\/a>. O NPS e sua pol&iacute;cia t&ecirc;m intensificado a repress&atilde;o desde maio de 2024, acelerando o ritmo em mar&ccedil;o ap&oacute;s <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/presidential-actions\/2025\/03\/making-the-district-of-columbia-safe-and-beautiful\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">ordem executiva<\/a> de Trump para &ldquo;tornar o Distrito de Columbia seguro e bonito&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre mar&ccedil;o e in&iacute;cio de agosto, o &oacute;rg&atilde;o removeu 70 acampamentos, segundo o secret&aacute;rio do Interior Doug Burgum em coletiva de 11 de agosto. No come&ccedil;o da federaliza&ccedil;&atilde;o, restavam dois acampamentos em terrenos federais, de acordo com Leavitt em coletiva de 12 de agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade tem seu <a href=\"https:\/\/streetsensemedia.org\/article\/cigars-clean-ups-and-closures-what-do-encampment-engagements-look-like\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">pr&oacute;prio processo de resposta aos acampamentos<\/a> em terrenos municipais, com equipe do DMHHS respons&aacute;vel pelo monitoramento, di&aacute;logo social e, em alguns casos, remo&ccedil;&atilde;o dos acampamentos. Desde o in&iacute;cio do ano, a cidade fechou pelo menos 60 acampamentos, segundo levantamento do <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em>. Segundo o <a href=\"https:\/\/dmhhs.dc.gov\/sites\/default\/files\/dc\/sites\/dmhhs\/page_content\/attachments\/Encampment%20Protocol_02.28.25.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">DMHHS<\/a>, na data inicial da interven&ccedil;&atilde;o de Trump, existiam 62 acampamentos na cidade, abrigando cerca de 100 pessoas &ndash; embora muito mais durmam ao relento em qualquer noite; pelo menos 800, segundo o <a href=\"https:\/\/community-partnership.org\/homelessness-in-dc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">censo mais recente<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A federaliza&ccedil;&atilde;o promovida por Trump alterou esse processo. Sua supervis&atilde;o sobre a pol&iacute;cia local (que, mesmo limitada, garante poder federal sobre como a pol&iacute;cia lida com os acampamentos) fez dos agentes da MPD equipes de remo&ccedil;&atilde;o, como parte da tentativa de retirar os &ldquo;drogados e desabrigados&rdquo; que, segundo ele, tomaram a cidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-748\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Prefeita Bowser falando &agrave; imprensa ap&oacute;s o an&uacute;ncio de Trump em 11 de agosto sobre a federaliza&ccedil;&atilde;o da MPD e envio da Guarda Nacional ao Distrito. Foto: Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&ldquo;Esse &eacute; o tema dele, ver acampamentos de sem-teto &ndash; isso desencadeia algo nele&rdquo;, disse a prefeita Muriel Bowser numa transmiss&atilde;o ao vivo pelo X em 12 de agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade foi a primeira a iniciar fechamentos acelerados n&atilde;o programados de acampamentos, indo at&eacute; as proximidades do Kennedy Center em 13 de agosto avisar moradores para mudarem suas barracas no dia seguinte. (Trump esteve no Kennedy Center naquele mesmo dia.)<\/p>\n\n\n\n<p>Em 14 de agosto, a cidade fechou o acampamento inicialmente alvo da indigna&ccedil;&atilde;o de Trump em uma postagem no Truth Social, acompanhada de fotos de barracas ao longo da rodovia com o apelo: &ldquo;Os sem-teto t&ecirc;m que sair, IMEDIATAMENTE.&rdquo; Seguindo protocolo local, a remo&ccedil;&atilde;o foi imediata e os moradores tiveram apenas 24 horas para deixar o local (o padr&atilde;o s&atilde;o 7 dias), tornando a opera&ccedil;&atilde;o especialmente apressada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-755\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Franklin Lee sentado do lado de fora de sua barraca na rodovia interestadual, perto do Kennedy Center. Foto de Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Rachel Pierre, chefe interina do DHS, explicou que o fechamento foi em resposta &agrave; ordem executiva de agosto e que outros locais poderiam ser fechados nos dias seguintes. O vice-prefeito de sa&uacute;de Wayne Turnage e outros funcion&aacute;rios da cidade sugeriram que o munic&iacute;pio estava mais capacitado para coordenar remo&ccedil;&otilde;es, destacando a oferta de mais servi&ccedil;os para os afetados.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Fechar acampamentos &eacute; um processo muito, muito complexo, lidamos com seres humanos que, em muitos casos, foram marginalizados, suas vidas est&atilde;o sendo interrompidas&rdquo;, disse Turnage &agrave; imprensa em 14 de agosto. &ldquo;Achamos que, por ser um local grande, se era para ser fechado, caberia a n&oacute;s faz&ecirc;-lo&rdquo;, ele explicou, referindo-se ao acampamento de sete barracas ao longo da rodovia.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhadores sociais estavam presentes na &aacute;rea desde a postagem de Trump, apoiando moradores em alerta m&aacute;ximo. Um dos moradores, G., relatou ao <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> em 11 de agosto que iria se mudar naquele dia devido &agrave; aten&ccedil;&atilde;o que o acampamento passou a receber.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro, George Morgan, disse esperar que Trump e Bowser chegassem a um acordo. Queria ocupar uma vaga rec&eacute;m-aberta nos abrigos, mas para isso teria de abandonar Blue, seu cachorro querido &mdash; abrigos municipais n&atilde;o aceitam animais de estima&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-9.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-739\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>George Morgan e seu cachorro Blue do lado de fora da barraca antes da coletiva de Trump em 11 de agosto. Foto: Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar das esperan&ccedil;as de Morgan, o fechamento foi realizado em 14 de agosto. Pelo menos um morador aceitou ir para abrigo; equipes ofereceram telefones, acomoda&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria e espa&ccedil;o para armazenamento a outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o fechamento, cerca de 12 manifestantes chegaram, posicionando-se em meio ao acampamento. Empunhavam cartazes dizendo &ldquo;ser pobre n&atilde;o &eacute; crime&rdquo; e &ldquo;n&atilde;o ter moradia n&atilde;o &eacute; crime.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos manifestantes, o reverendo Ben Roberts, veio da Igreja Metodista Unida Foundry, que auxilia pessoas de baixa renda e sem-teto na obten&ccedil;&atilde;o de documentos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-741\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>George Morgan desmonta sua barraca enquanto manifestantes protestam contra o despejo de &ldquo;os pobres&rdquo;, 14 de agosto. Foto: Nina Calves<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&ldquo;A &uacute;nica forma de acabar com a falta de moradia &eacute; oferecer moradia. Se voc&ecirc; est&aacute; abrigado, n&atilde;o &eacute; sem-teto&rdquo;, disse Roberts. &ldquo;Precisamos investir nossos recursos e lideran&ccedil;a para garantir isso &mdash; n&atilde;o nessa gigantesca brincadeira de &lsquo;bate e volta&rsquo; que s&oacute; prolonga o problema.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Este &eacute; o discurso recorrente entre os defensores da popula&ccedil;&atilde;o de rua. Fechamentos podem tornar menos vis&iacute;vel a falta de moradia, mas n&atilde;o oferecem habita&ccedil;&atilde;o. Mesmo quem foi para os abrigos nas &uacute;ltimas semanas (embora nenhum n&uacute;mero seja divulgado) n&atilde;o recebeu novo suporte federal que se aproxime da moradia definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr&aacute;tica, muitos parecem apenas migrar. David Beatty ficou cerca de seis meses no acampamento da rodovia, mudando-se depois do fechamento de outro. Ele e outro morador pensavam em se mudar para a Virg&iacute;nia, onde j&aacute; vivera antes, mas Beatty se preocupava com a dist&acirc;ncia. Tem tendinite, o que dificulta e torna doloroso caminhar.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;N&atilde;o sei qu&atilde;o longe &eacute; a caminhada&rdquo;, disse Beatty.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-11.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-740\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>David Beatty conversando com rep&oacute;rter entre a desmontagem dos pertences, fechamento do acampamento da rodovia. Foto: Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Para onde v&atilde;o as pessoas?<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde o in&iacute;cio da interven&ccedil;&atilde;o federal, o <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> registrou a remo&ccedil;&atilde;o de pelo menos 20 barracas e a desloca&ccedil;&atilde;o de ao menos 20 pessoas em despejos &mdash; n&uacute;mero provavelmente maior se considerados os despejos de pessoas que n&atilde;o utilizam barracas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o DMHHS, ap&oacute;s duas semanas sob federaliza&ccedil;&atilde;o, ainda havia 68 acampamentos na cidade, com pouco mais de 100 moradores. Os n&uacute;meros, praticamente id&ecirc;nticos aos relatados em 11 de agosto, sugerem que, em vez de buscarem abrigos, a maioria apenas circula para locais menos acess&iacute;veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve um pequeno aumento na procura por abrigos, segundo trabalhadores de projetos sociais e moradores ouvidos pelo <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em>, mas a cidade n&atilde;o divulgou n&uacute;meros que confirmem quantas pessoas buscaram essas vagas. Alguns tamb&eacute;m foram temporariamente realocados em hot&eacute;is por grupos comunit&aacute;rios, embora possam n&atilde;o ficar por falta de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>O <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> tamb&eacute;m ouviu algumas pessoas que decidiram se mudar para a Virg&iacute;nia ou Maryland. Na semana passada, autoridades locais desses estados vizinhos demonstraram preocupa&ccedil;&atilde;o com um eventual aumento de pessoas fugindo de D.C.<\/p>\n\n\n\n<p>At&eacute; agora, Hilary Chapman, gerente de programas habitacionais do Conselho de Governos da &Aacute;rea Metropolitana de Washington, respons&aacute;vel pelo censo anual, afirmou que os munic&iacute;pios vizinhos n&atilde;o registraram aumento de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de rua, embora talvez seja cedo para avaliar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em vez de partir, os profissionais de projetos sociais dizem que a maioria busca locais mais escondidos para se abrigar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-12.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-745\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Heather Bernard, cliente da District Bridges, em seu acampamento preparando limpeza cancelada em 13 de agosto pelo DMHHS. Foto: Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Edward Wycliff, diretor de parcerias estrat&eacute;gicas da District Bridges, relata que a equipe costumava atender entre cinco e vinte pessoas por sess&atilde;o. Agora, s&atilde;o uma ou duas.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;As pessoas est&atilde;o se tornando escassas&rdquo;, diz Wycliff. Tem sido mais dif&iacute;cil encontrar os atendidos, o que dificulta o acesso aos servi&ccedil;os.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade bate com os levantamentos informais feitos pelo <strong><em>Street Sens<\/em>e<\/strong>: ap&oacute;s conversar com cerca de 70 pessoas nas &uacute;ltimas duas semanas, a maioria disse tentar evitar chamar aten&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia o m&aacute;ximo poss&iacute;vel. Listaram diversos meios, como evitar dormir em locais expostos, andar &agrave; noite em vez de dormir, e frequentar mais os centros de acolhimento. Dizem tamb&eacute;m &ldquo;se portar de forma r&iacute;gida&rdquo; ou evitar chamar aten&ccedil;&atilde;o ao ver a pol&iacute;cia patrulhando.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;&Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o opressiva em que as pessoas passam a se esconder&rdquo;, comenta Wycliff. &ldquo;Dificulta tamb&eacute;m para quem quer ajudar encontrar algu&eacute;m para oferecer apoio.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Medo nas ruas<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde o an&uacute;ncio, h&aacute; clima de medo entre ativistas, trabalhadores e pessoas dormindo ao relento quanto ao risco de criminaliza&ccedil;&atilde;o da falta de moradia em D.C. Embora o acampamento, a mendic&acirc;ncia agressiva e outras a&ccedil;&otilde;es j&aacute; sejam ilegais em D.C., a MPD geralmente n&atilde;o faz pris&otilde;es nessas circunst&acirc;ncias, embora alguns moradores de acampamentos tenham sido presos em despejos federais ou internados involuntariamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em coletiva em 12 de agosto, Leavitt disse que a MPD passaria a refor&ccedil;ar leis contra acampamentos, permitindo aos desabrigados optar por ir para abrigo, receber apoio contra depend&ecirc;ncia ou problemas mentais e, se recusassem, poderiam ser multados ou presos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-13.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-753\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">#image_title<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Policial do Departamento de Pol&iacute;cia Metropolitana algema moradora de acampamento segurada por outros dois policiais, in&iacute;cio deste ano. Foto: Madi Koesler<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo autoridades da Casa Branca e relat&oacute;rios p&uacute;blicos locais e federais, ainda n&atilde;o h&aacute; pris&otilde;es por falta de moradia. O <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> tamb&eacute;m n&atilde;o identificou essas pris&otilde;es. Mas, segundo fontes, a MPD come&ccedil;ar&aacute; a aplicar leis locais contra perman&ecirc;ncia em espa&ccedil;os p&uacute;blicos. Entre elas, o C&oacute;digo D.C. 22-1307, que pro&iacute;be bloquear ruas, cal&ccedil;adas, entradas de edif&iacute;cios ou outras passagens, e o Regulamento Municipal 24-100, que veda uso n&atilde;o autorizado do espa&ccedil;o p&uacute;blico.<\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o est&aacute; claro como o aumento geral da presen&ccedil;a policial tem impactado os sem-teto, mais vulner&aacute;veis a acusa&ccedil;&atilde;o por alguns crimes. Pelo menos cinco pessoas sem moradia foram presas desde 11 de agosto, todas por acusa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o explicitamente ligadas &agrave; falta de moradia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, as autoridades d&atilde;o &ecirc;nfase &agrave; pris&atilde;o por &ldquo;crimes de qualidade de vida&rdquo;, como consumo de &aacute;lcool ou maconha em p&uacute;blico. Essas deten&ccedil;&otilde;es atingem de forma desproporcional os sem-teto, pois, por defini&ccedil;&atilde;o, o crime ocorre em espa&ccedil;os p&uacute;blicos, habitual para quem vive na rua.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-14.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-742\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Vendedor do <strong>Street Sense<\/strong> Tim Holt e amigo Albenny do lado de fora da biblioteca MLK ap&oacute;s o despejo pela MPD em 15 de agosto. Foto: Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div>\n<p><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<p>A Associa&ccedil;&atilde;o de Hospitais de D.C. tamb&eacute;m n&atilde;o registrou aumento nas interna&ccedil;&otilde;es involunt&aacute;rias at&eacute; 20 de agosto. Antes da interven&ccedil;&atilde;o, o Gabinete do Procurador-Geral de D.C. enviou e-mails a hospitais da regi&atilde;o alertando para poss&iacute;vel alta nas interna&ccedil;&otilde;es, caso agentes federais se espalhassem pela cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos mais de 70 entrevistados pelo <em><strong>Street Sense<\/strong><\/em> nas &uacute;ltimas duas semanas, as intera&ccedil;&otilde;es com a pol&iacute;cia t&ecirc;m sido inconsistentes. Muitos n&atilde;o relatam aumento do contato, mas outros foram abordados para mostrar documentos ou ordenados a se retirar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, uma dupla de amigos relatou que, no in&iacute;cio do dia 13 de agosto, agentes do Servi&ccedil;o Secreto os acordaram e proibiram de dormir no Franklin Park. Outro disse que o amigo, que costumava pedir dinheiro em uma rua movimentada, est&aacute; desaparecido desde o in&iacute;cio da interven&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algumas &aacute;reas onde tradicionalmente se dorme, como do lado de fora da MLK, h&aacute; menos pessoas nas &uacute;ltimas semanas. Algumas das que permanecem, por&eacute;m, mostram-se relativamente despreocupadas. V&aacute;rios disseram acreditar que a pol&iacute;cia focar&aacute; em crimes violentos, n&atilde;o em pessoas dormindo ao relento.<\/p>\n\n\n\n<p>Robert Hulshizre disse que mais agentes de projetos sociais passaram pelo local do que policiais. &ldquo;Eles j&aacute; sabem quem est&aacute; aqui; n&atilde;o &eacute; como se fosse um jogo de esconde-esconde.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Profissionais de apoio temem os impactos duradouros da interven&ccedil;&atilde;o, que pode afastar pessoas dos servi&ccedil;os sociais e criar desconfian&ccedil;a, dificultando a inser&ccedil;&atilde;o em moradias no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Os clientes que conseguimos encontrar est&atilde;o dominados pelo medo&rdquo;, diz Wycliff. &ldquo;Ouviram e presenciaram pris&otilde;es de pessoas na comunidade ou pessoas desconhecidas na rua, &eacute; assustador para muitos clientes e para os trabalhadores sociais.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-15-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-744\" srcset=\"https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-15-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-15-300x200.jpg 300w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-15-768x512.jpg 768w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-15-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-15-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-15-18x12.jpg 18w, https:\/\/solidaritas.blog\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/FOTO-15-scaled.webp 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Isaiah carrega a barraca depois que um funcion&aacute;rio do Departamento de Obras P&uacute;blicas (DPW) a encontrou, obrigando-o a arrumar tudo sem saber para onde iria, durante fechamento promovido pelo DMHHS em maio. Foto: Madi Koesler<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para os mais impactados pelas a&ccedil;&otilde;es de Trump, h&aacute; profunda compreens&atilde;o sobre sua inefic&aacute;cia na solu&ccedil;&atilde;o do problema. A maioria decidiu se mudar para outros pontos da cidade. Mesmo os que aceitaram abrigo n&atilde;o se aproximaram da moradia definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Abraham decidiu se mudar para outro local da cidade porque abrigo n&atilde;o funciona para ela. Quando questionada sobre o que diria ao presidente &mdash; que ordenou seu despejo e equiparou pessoas como ela a criminosos &mdash; ela ressaltou a inutilidade do m&eacute;todo adotado:<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Em D.C., ser sem-teto n&atilde;o &eacute; crime&rdquo;, afirmou. &ldquo;Precisam nos oferecer outra op&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o est&atilde;o fazendo isso; est&atilde;o apenas dizendo para que saiamos daqui.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p><em><a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/streetsensemedia.org\/staff_members\/madi-koesler\/\">Madi Koesler<\/a>,&nbsp;<a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/streetsensemedia.org\/staff_members\/katherine-wilkison\/\">Katherine Wilkison<\/a>,&nbsp;<a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/streetsensemedia.org\/staff_members\/mackenzie-konjoyan\/\">Mackenzie Konjoyan<\/a>,&nbsp;<a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/streetsensemedia.org\/staff_members\/nina-calves\/\">Nina Calves<\/a>, e&nbsp;<a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/streetsensemedia.org\/staff_members\/jelina-liu\/\">Jelina Liu<\/a>&nbsp;contribuiram para esta reportagem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\">\n\n\n\n<p>Legenda da foto em destaque: <em>O coordenador de projetos sociais para a popula&ccedil;&atilde;o de rua do Georgetown Ministry Center, Ben Zack, ajudou a &uacute;nica pessoa em situa&ccedil;&atilde;o de rua presente na esquina da 26 com a L St. NW a levar seus pertences enquanto a Pol&iacute;cia Metropolitana de D.C. (MPD) chegava ao acampamento. Foto: Madi Koesler<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas semanas de repress&atilde;o: como a ofensiva de Trump contra os sem-teto em D.C. exp&otilde;e o impacto humano de uma pol&iacute;tica implac&aacute;vel.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":750,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","generate-columns","tablet-grid-50","mobile-grid-100","grid-parent","grid-33"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=730"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/730\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":768,"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/730\/revisions\/768"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/750"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/solidaritas.blog\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}